Os pontos em comum que dialogam
entre o livro e o texto, estão nos temas que abordam, pois tanto o livro quanto
o texto, falam de problemas relacionados a educação. O cineasta João Jardim em
seu filme documentário, por diversas vezes parece ilustrar o que se lê no texto
de Bourdieu, pois frequentemente é possível pensar nos escritos, assistindo o
filme e refletir a respeito da educação brasileira.
Na primeira parte do
documentário, manchetes de jornais e narrativas de repórteres dizem: “nas
cidades sem escolas, jovens escolhem o crime”, afirmam e perguntam logo em
seguida: até quando essas manchetes serão habituais? a culpa será da juventude
ou somos nós que não lhes oferecemos um caminho? Logo em seguida passa na tela,
a imagem de um jovem roubando um carro e logo o narrador pergunta aos
telespectadores, com sua voz rouca de jornalista policial: alguém ensinou a esse
jovem, que os seus problemas não se resolvem desta maneira? Alguém lhe deu uma
escola? Uma oportunidade? Um futuro?
A voz do narrador continua
apresentando dados sobre a educação, mencionando em seguida que “para se votar
bem é necessário favorecer a educação[...] o problema do Brasil é alterar para
melhor, este panorama sombrio de 14 milhões de brasileiros em idade escolar,
onde apenas a metade chega a frequentar aulas e fazer leituras”. Um dado
aparece na sequência “segundo avaliações promovidas pelo Ministério da Educação
(MEC), metade dos estudantes do ensino fundamental não consegue ler ou escrever
corretamente”.
Diante deste cenário de
questionamentos colocado pelo documentário, podemos começar nossa análise. As
perguntas lançadas pelo narrador, que aparecem no início do documentário, nos
levam a grandes reflexões, a impressão que é transmitida é a de que os problemas
de criminalidade, que estampam as manchetes das cidades são motivados pela fata
de escolas e oportunidades. Em partes a falta de escolas e oportunidades são
realmente um dos fatores que prejudicam o futuro dos jovens, mas além disso
segundo o sociólogo francês, Pierre Bourdieu, em uma sociedade de classes a
cultura é um grande patrimônio diferencial que os pais podem legar aos filhos,
ou seja, a família tem grande influência na vida escolar dos filhos.
Pierre Bourdieu levanta aspectos
importantes, para se pensar fatores singulares que constituem a vida escolar
dos jovens, que estão imbricados na herança cultural familiar, ou mesmo, como o
próprio autor afirma na expressão “capital cultural”. Este capital cultural vai
ser um elemento de grande influência, na vida escolar dos jovens que terão pela
frente uma escola caótica e conservadora de desigualdades.
[1]
Sociólogo e filósofo francês (1930-2002), que desenvolveu ao longo de sua
carreira, vários trabalhos que tinham como tema a questão sobre dominação. Bourdieu é considerado um dos
autores mais lidos, no campo das Ciências Sociais, pois suas obras contemplam
temas como educação, arte, literatura, política, linguística e cultura.

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