sábado, 2 de julho de 2016

Pro Dia Nascer Feliz




Este trabalho tem a intenção de analisar fragmentos do livro: “Escritos de Educação”, de Pierre Félix Bourdieu[1] e fazer um diálogo com o filme documentário: “Pro Dia Nascer Feliz” (2005), do cineasta carioca, João Jardim (1964). Analisar o filme de João Jardim é um excelente exercício, se antes de assisti-lo tivermos feito uma leitura do livro do sociólogo Pierre Bourdieu, que aborda as várias facetas que envolvem as desigualdades frente à escola, ou seja, desigualdades sociais, culturais e de oportunidades.
               Os pontos em comum que dialogam entre o livro e o texto, estão nos temas que abordam, pois tanto o livro quanto o texto, falam de problemas relacionados a educação. O cineasta João Jardim em seu filme documentário, por diversas vezes parece ilustrar o que se lê no texto de Bourdieu, pois frequentemente é possível pensar nos escritos, assistindo o filme e refletir a respeito da educação brasileira.
                Na primeira parte do documentário, manchetes de jornais e narrativas de repórteres dizem: “nas cidades sem escolas, jovens escolhem o crime”, afirmam e perguntam logo em seguida: até quando essas manchetes serão habituais? a culpa será da juventude ou somos nós que não lhes oferecemos um caminho? Logo em seguida passa na tela, a imagem de um jovem roubando um carro e logo o narrador pergunta aos telespectadores, com sua voz rouca de jornalista policial: alguém ensinou a esse jovem, que os seus problemas não se resolvem desta maneira? Alguém lhe deu uma escola? Uma oportunidade? Um futuro?
                A voz do narrador continua apresentando dados sobre a educação, mencionando em seguida que “para se votar bem é necessário favorecer a educação[...] o problema do Brasil é alterar para melhor, este panorama sombrio de 14 milhões de brasileiros em idade escolar, onde apenas a metade chega a frequentar aulas e fazer leituras”. Um dado aparece na sequência “segundo avaliações promovidas pelo Ministério da Educação (MEC), metade dos estudantes do ensino fundamental não consegue ler ou escrever corretamente”.
                Diante deste cenário de questionamentos colocado pelo documentário, podemos começar nossa análise. As perguntas lançadas pelo narrador, que aparecem no início do documentário, nos levam a grandes reflexões, a impressão que é transmitida é a de que os problemas de criminalidade, que estampam as manchetes das cidades são motivados pela fata de escolas e oportunidades. Em partes a falta de escolas e oportunidades são realmente um dos fatores que prejudicam o futuro dos jovens, mas além disso segundo o sociólogo francês, Pierre Bourdieu, em uma sociedade de classes a cultura é um grande patrimônio diferencial que os pais podem legar aos filhos, ou seja, a família tem grande influência na vida escolar dos filhos.
                 Pierre Bourdieu levanta aspectos importantes, para se pensar fatores singulares que constituem a vida escolar dos jovens, que estão imbricados na herança cultural familiar, ou mesmo, como o próprio autor afirma na expressão “capital cultural”. Este capital cultural vai ser um elemento de grande influência, na vida escolar dos jovens que terão pela frente uma escola caótica e conservadora de desigualdades.




[1] Sociólogo e filósofo francês (1930-2002), que desenvolveu ao longo de sua carreira, vários trabalhos que tinham como tema a questão sobre dominação. Bourdieu é considerado um dos autores mais lidos, no campo das Ciências Sociais, pois suas obras contemplam temas como educação, arte, literatura, política, linguística e cultura. 

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